seg, abr 18th, 2011

Cronologia poética da última semana de Jesus Cristo na Terra

Eis os eventos relacionados aos dias finais de Jesus de Nazaré. Cada evento é acompanhado de alguns dos textos bíblicos em que são narrados os acontecimentos e também de um poemeto alusivo ao fato.
(Em relação à cronologia publicada em anos anteriores, esta contém revisões e acréscimos sobre as condições físicas de Jesus. Usei, para tanto, principalmente o livro A crucificação de Jesus, do médico legista Frederick T. Zugibe. São Paulo: Idéia & Ação, 2008. 455p. Usei, também, e também com ressalvas o livro A última semana; um relato detalhado dos dias finais de Jesus, dos teólogos Marcus J. Borg e John Dominic Crossan. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. 255p.)

DATAS PROVÁVEIS
Ano provável: 30
Mês provável: abril

DOMINGO
Jesus viaja de Betânia (a 3 km) a Jerusalém. (Ao final da tarde, volta para Betânia.)

Mateus 21.1-11
Marcos 11.1-10
Lucas 19.29-44
João 12.12-19

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Como um peregrino, Jesus toma a decisão:
vai a Jerusalém, para a Sua lamentação.
Montado num jumento, pode escutar
crianças e mulheres em Sua saudação,
que, embora não saibam, hosanam um rei
que vai morrer por causa da Lei
logo Ele que veio cumpri-la amorosamente.
O justo caminha, como um cordeiro silente ,
para morrer como um pecador impenitente.

SEGUNDA-FEIRA
De Betânia, Jesus volta a Jerusalém. No caminho, amaldiçoa uma figueira. Em Jerusalém, protesta contra o comércio no templo. Ao final da tarde, retorna a Betânia.

Mateus 21.12-13
Marcos 11.15-18

O indignado levanta a sua voz
O indignado levanta o seu chicote
O indignado leva a sério a religião:
nascida no céu, vivida na terra
é, entre Deus e homem, sagrada relação.
O indignado expulsa do templo
quem faz dele espaço para a enganação.
O que fez permanece como um exemplo.

Jesus ensina no templo em Jerusalém.

Mateus 21.28-23.29
Marcos 12.1-44
Lucas 20.9-21.4

O indignado levanta a sua voz para falar.
quando escuta os que duvidam por maldade.
Querem saber de onde vem Sua autoridade,
mas pérolas aos porcos não entregará.

TERÇA-FEIRA
Jesus retorna a Jerusalém e prediz a data de Sua execução e debate com líderes religiosos.
Jesus vai ao monte das Oliveiras e fala do tempo do fim (miniapocalipse)

Marcos 13.1-4

QUARTA-FEIRA
Judas é contratado para trair Jesus.
Jesus é ungido em Betânia.

Mateus 26.6-13
Marcos 14.1-9
João 12.2-11

Judas é contratado para trair.
Uma mulher sem nome e sem fama
se aproxima para o Mestre ungir.
Judas termina seus dias esquecido na lama;
a anônima entra na história para não mais sair.

Jesus chora, no Monte das Oliveiras.
Ele lamenta ser rejeitado por Jerusalém e se entristece pela destruição iminente da cidade.

Lucas 19.41-44

No monte das Oliveiras, onde canta e ora.
antes de alcançar do Calvário a elevação.
Jesus, que se fez homem total, chora
por Jerusalém de próxima destruição.

QUINTA-FEIRA
(18 às 23h30min)
Jesus toma a última Páscoa (primeira Ceia) com os discípulos em Betânia e lava os seus pés.

Mateus 26.17-29
Marcos 14.12-25
Lucas 22.7-20
João 13.1-38

Jesus convida para um jantar
os discípulos que o acompanham;
é assim que se despede dos que o amam.
Suas palavras todos vão guardar,
até hoje que Sua volta estamos esperar
para a festa que a eternidade vai durar.

QUINTA-FEIRA
(23h30min a Sexta-feira — 1h)
Jesus ora no Jardim do Getsêmani.

Mateus 26.36-46
Marcos 14.32-42
Lucas 22.40-46

(O suor de Jesus, conforme o relato de um médico [Lucas 22.44], transformou-se em gotas de sangue, que caíram no chão. A partir da literatura médica, este fenômeno, conhecido tecnicamente como hematidrose, pode ser tomado como real e não apenas metafórico. A hematidrose acontece em casos de profunda ansiedade, como foi o caso.)

Finda o dia, começa a vigília
dos membros da sua família
que em três anos conseguiu formar.
Pode com eles o Mestre contar?
Não, que seu sono é bem mais forte.
É sozinho que espera a morte;
é sozinho que seu suor verte.

SEXTA-FEIRA
(1h às 1h30m min)
Jesus espera por Sua prisão.

Mateus 26.36-46
Marcos 14.32-42
Lucas 22.39-46

Quando beija, Jesus abençoa.
Quando beija, Judas atraiçoa.

(1h30m min às 3h)
Jesus é julgado.
Jesus, já cansado da noite em oração e da caminhada, amarrado pelas costas, passa por um julgamento preliminar diante de Anás (ex-sumo-sacerdote e sogro do então sumo-sacerdote José Caifás), levado por um grupo de funcionários do templo e de soldados romanos.
Jesus é torturado fisicamente.
Jesus passa pelo segundo julgamento diante de José Caifás (genro de Anás) e da Corte do Sinédrio, a mais alta dos judeus, formada por sacerdotes, líderes, fariseus e escribas.
Jesus sangra, em função dos flagelos recebidos.

Mateus 26.47-56
Marcos 14.53
Lucas 22.47-54

Começa o interrogatório que não busca a verdade.
Começa a tortura, esta forma covarde de crueldade.
Para que defesa, se estava tudo combinado?
Para que palavras, se já estava condenado?
Por que não O ouviram quando pregou na colina?
Por que não quiseram receber Seu amor que ilumina?

(3h às 5h)
Jesus é preso no palácio de (José) Caifás.

Mateus 26.57
João 18.24

A conspiração, que se escondia no silêncio,
torna-se agora clara na luz do palácio.
Não se pode esperar justiça:
onde há ódio não há justiça.

(5h às 6h)
Jesus passa pelo terceiro julgamento.
Sai a decisão para pedir ao governo romano para matar Jesus.

Mateus 27.1
Lucas 23/1
João 18.28

Diante do aterrorizado julgador
cresce o corpo do calador.
Jerusalém era cidade sem valor;
Roma não que lhe caberia melhor?

(6h às 7h)
Jesus passa pelo quarto julgamento.
Seu juiz, Pilatos, afirma não ter encontrado pecado nEle.

Mateus 27.11-14
Marcos 15.2-5
Lucas 23.1-5
João 18.28-37

Pilatos é inteligente
e não vê pecado onde pecado não há.
Pilatos não é sábio
para um inocente libertar.
Ele lava sua mão,
mas não livra seu coração.

(7h às 7h30min)
Jesus passa pelo quinto julgamento.
Este julgamento se dá por de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que tinha jurisdição sobre a Galiléia. Jesus se recusa a responder a qualquer questão e é devolvido rapidamente a Pilatos.

Lucas 23.7-11

Para que falar, se já estava condenado?
Para que defesa, se seus juízes queriam brincar?
Joguem-no, como bola, de um para outro lado,
que Seu lábio continuará plenamente fechado.

(7h30min às 8h30min)
Jesus passa pelo sexto julgamento.
Pilatos, não vendo crime digno de morte, tenta repetidamente libertar o acusado, mas os líderes judeus não aceitam. Pilatos, então, manda que Jesus seja açoitado, talvez para aplacar a fúria dos que pediam pela crucificação.
(O açoitamento era executado com um chicote chamado flagelo, feito de couro de várias dobras, nas pontas das quais eram afixados bolinhas de metal, ossos de carneiro e outros objetos pendurados nas pontas. Os soldados, que se revezavam, ficavam em pé. O prisioneiro era curvado e preso a um objeto fixo, com as costas nuas voltadas para os soldados com o açoite na mão. Cada golpe atingia as costas, os braços, os ombros, as pernas e as panturrilhas. “Os pedaços de metal penetravam na carne, rasgando vasos sangüíneos, nervos, músculos e a pele”. A flagelação causou em Jesus “sérios danos aos pulmões, costelas e à estrutura do corpo, levando-o a um estado de choque prematuro, manifesto por meio de extrema fraqueza, tremores, provável colapso do pulmão, ataques e desmaios”. [ZUGIBE, Frederick, op. cit., p. 34 e 172.])

Mateus 27.26
Marcos 15.15
Lucas 23.23-24
João 19.16

Sobre quem o sangue do inocente recairá?
Sobre aqueles que o hosanaram quando chegou?
Sobre aqueles que levaram a multidão por sua morte rogar?

(8h30min às 9h)
Jesus comparece ao Pretório.
Soldados de Pilatos pegam Jesus no tribunal — Pretório — e se divertem com Ele, torturando-o e colocando uma coroa de espinhos na Sua cabeça. Os soldados, como uma forma de diversão, puseram nas mãos de Jesus um falso cetro de graveto, passaram por Ele, ajoelhando-se debochadamente, cuspiram nele, tiraram o cetro de Suas mãos e bateram com Ele em Sua coroa de espinhos e em Seu rosto, que ficou machucado.
Os golpes “na cabeça de Jesus ou nos espinhos irritaram os nervos e ativaram zonas nos lábios, do lado do nariza, ou no rosto, causando dor intensa, similar a uma queimadura ou choque elétrico. A dor era lancinante, atingindo as laterais do rosto e penetrando nos ouvidos. O sangramento decorria da penetração dos espinhos nos vasos sangüíneos” (cf. ZUGIBE, Frederick, op. cit., p. 52).

(Mateus 27.27-31)

Sobre quem o sangue do justo recairá?
Sobre aqueles que o fazem sangrar?
Sobre os que com espinhos o fazem coroar?

(9h às 12h)
Jesus leva Sua cruz.
Jesus é forçado a carregar Sua própria cruz para a crucificação no Calvário. O centurião e o quaternio (quadro soldados) colocam a cruz sobre os ombros do condenado.
(Comoera costume para os condenados, Jesus carrega sozinho ladeira acima, e depois com a ajuda de um transeunte [Simão de Cirene], a barra horizontal da cruz, que pesava entre 22 e 27 quilos. A barra vertical já o esperava, como também era costume, no local da execução. As duas barras pesavam 80 quilos.)
Jesus chega (já em choque traumático e hipovolêmico, na linguagem médica) ao lugar de Sua execução: o Calvário (ou Gólgota ou Caveira).

Mateus 27.32-34
Marcos 15.21-24
Lucas 23.26-31
João 19.16-17

Um homem a tiros vai morrer,
mas tem que levar a arma e a munição
que em minutos o liquidarão.
Um homem vai morrer enforcado,
mas tem que preparar a corda
em que Seu pescoço ficará pendurado.
Um homem vai morrer crucificado;
não precisa comprar os próprios cravos,
mas tem que levar sobre o ombro sangrado
a própria cruz onde ficará dependurado.
Por que, se era justo? Por causa do meu pecado!

(12h)
Jesus é pregado na cruz

Mateus 27.35-36
Marcos 25.22-24
Lucas 23.33

Quantas foram as marteladas?
Quantos foram os litros de sangue?
Quantas foram as bofetadas?
Quanto se divertiu a gangue?
Quantos foram os cravos usados?
Quantos socos foram dados?
Quantos panos foram rasgados?
Quantos insultos foram lançados?
Por que Seus lábios ficaram calados?

(13h)
Jesus clama pelo Pai: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”.

Mateus 27.46
Marcos 15.34
João 19.28-29

A agonia chega ao fim, um batismo de fogo,
a morte anunciada.
A Voz do Pai se ouviu no batismo anterior:
“Eis o meu Filho por quem tenho muito amor”.
Agora, a palavra é negada.
“Por que, meu Senhor?”

(14h)
Jesus declara que tudo está consumado.

João 19.30a
Lucas 23.46

A sétima palavra é o sétimo selo.
O selo revela o segredo.
A palavra guarda o mistério.
Este foi o Seu ministério:
combater sem medo,
amando com todo desvelo.

(15h)
Jesus morre.

Acontece um terremoto

Mateus 27.51-52
Marcos 15.37

O corpo não cai
por causa dos pregos e dos cravos
que o prendem à cruz.
Os músculos esmorecem,
os olhos se escurecem,
a vida se vai no pus.

Soldados quebram as pernas dos outros crucificados, mas não as de Jesus.

João 19.31-33

Soldados furam o corpo de Jesus.

João 19.34

Os soldados não conhecem o Roteiro
que diz que Seus ossos não serão quebrados,
como acontecia com todos os crucificados.
Os soldados se aproximam do madeiro
mas se contentam com o sangue que escorre
pela ponta da lança quando o Justo morre.

(18h)
Jesus é enterrado no túmulo de José de Arimatéia.

Mateus 27.57-66
Marcos 15.42-47
Lucas 23.50-56
João 19.31-42

Viva José de Arimatéia, rico duplamente.
de bens muitos e de amplo coração,
para doar um túmulo para guardar o corpo
de Quem, vivo, não teve dinheiro para o Seu,
embora Senhor dos bens e da hora,
Ele foi humilhado mais uma vez,
depositado num túmulo que não era Seu

Mulheres vêem o sepulcro.

Marcos 15.47
Lucas 23.55

Em raro silêncio, as mulheres não temeram a madrugada.
Nenhuma delas temeu ser assaltada.
Nenhuma delas aceitou a morte do filho de Maria.
Nenhum delas Seu corpo abandonaria.
Em raro silêncio, sem trocar uma palavra sequer,
foram ao sepulcro fazer o que lhes era mister:
cuidar do corpo dAquele que lhes ensinara viver.

SÁBADO
Nada acontece

(Nada acontece
porque tudo a contece.
Em algum momento fora da história,
Deus profere sua palavra de glória.
Ninguém percebe,
o Espírito a rocha recebe
com a ordem que transcende.
De testemunhas Deus não depende
quando a morte fende.)

DOMINGO
Jesus aparece a Maria Madalena.

Marcos 16.2-13
João 20.11-18

Jesus não escolhe, para se dar a conhecer,
os grandes da terra, mas exalta uma pequena,
a há tanto tempo discípula Maria Madalena.
E na madrugada clara foi encontrar esta mulher.

Jesus aparece a dois seguidores no caminho para Emaús.

Marcos 16.12-13
Lucas 24.13-35

Os discípulos de Emaús como o Jacó antigo são:
diante de Jesus e sob as chamas de sua presença,
não reconhecem a razão de tamanha ardência
e precisam esperar mais para ver a ressurreição.

Jesus aparece a dez discípulos.

Marcos 16.14
Lucas 24.36-43
João 20.19-25

Ele aparece ao anônimo e ao pequeno,
até encontrar o querido grupo dianteiro:
até na ressurreição, atua a lógica do Reino:
é primeiro quem é ultimo; é ultimo o primeiro.

UMA SEMANA DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece aos 11 discípulos.

João 20.26-29

Diga-me, se puder,
meu querido Tomé:
você colocou mesmo o dedo
na ferida de Jesus de Nazaré
ou vai guardar isto como segredo?

DUAS SEMANAS DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece no Mar da Galiléia e conversa com alguns discípulos.

João 21.1-25
João 21.1-25

Ei-nos novamente e sozinhos no mar
lançando nossas redes para pescar.
Não temos mais o Mestre a nos ensinar;
mesmo na fome, não há peixes a pegar.

Ei-nos novamente com Jesus no mar
lançando nossas redes para pescar.
Agora temos o Mestre a nos ensinar.
É tanto peixe que a rede pode se rasgar.

ALGUMAS SEMANAS DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece a 500 seguidores.

1Coríntios 15.6

Esperamos, reunidos, reunidos ficamos esperando.
cultuando, Ceiando, adorando, jejuando
até que nosso Mestre apareceu.
Ele veio, nossas perguntas respondeu.

40 DIAS DEPOIS DA RESSURREIÇÃO
Jesus aparece no Monte das Oliveiras e ascende aos céus.

Mateus 28.16-20
Marcos 16.19-20
Lucas 24.44-53
Atos 1.4-11

Jesus vivo. Uma vida com sentido.
Jesus morto. Um itinerário todo fosco.
Vivo, Ele vem para ir ao céu, sua morada.
De nós se despede, mas nos deixa abastecido
com a missão de sua graça anunciar
e os discípulos do mundo batizar
por nós mesmos a começar.
Nossa tarefa é missionária:
construir a ponte necessária
que permite ao céu a chegada.
Tarefa difícil, mas Jesus está conosco
até nossa história terminar.

por: ISRAEL BELO DE AZEVEDO

Prazer da Palavra / Portal Padom

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