Publicado em: dom, nov 15th, 2009

E QUANDO O AMOR ACABA?

O fim da paixão não determina o fim do amor, mas a possibilidade do seu início

Há algum tempo fui procurado por uma mulher que estava disposta a deixar seu marido. Seu agumento foi simples, claro e decisivo: “Não há mais amor”. De fato, temos que admitir que quando a relação chega nesses termos a convivência fica mesmo difícil, uma vez que o que deve dar legitimidade à relação conjugal deve ser, de fato, o amor.

Sei que há muitos motivos que podem levar o amor a sucumbir no coração de um homem ou uma mulher pelo seu cônjuge. Motivos que podem até mesmo (sejamos justos!) justificar isso. Entretanto, há algo que vale refletir, em se tratando desse assunto.

Primeiro, precisamos fazer uma distinção clara a respeito da diferença entre amor e paixão. Alguns confundem paixão com amor, e quando a paixão se acaba acham que o amor também morreu.

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A paixão é um sentimento inicial que surge avassaladora e involuntariamente. O coração do apaixonado pulsa mais forte apenas pela lembrança da pessoa que é alvo dessa paixão. O apaixonado pode ficar sem dormir, perder a fome e ter estímulos que seriam impensáveis em outras situações.

Porém, a paixão não é um sentimento confiável, uma vez que se fundamenta no que não é real. Para o apaixonado, o outro não tem defeitos. E quando os tem, são desconsiderados. O apaixonado só é capaz de visualizar as virtudes, de forma que as falhas não são percebidas.

Outro elemento também, é que ela, a paixão, tem prazo de validade. E esse prazo tem vida curta, uma vez que não pode resistir a uma convivência profunda e ao conhecimento honesnto do outro. É como “fogo de palha”, que da mesma forma que vem, também se vai. Apresenta-se de forma avassaladora, mas quando submetido à prova da vida e da convivência logo se esvai. O fato é que ela, a paixão, é que leva ao casamento. Todo casamento, em condições normais, começa na paixão.

Entretento, com o casamento é criado o ambiente necessário para o surgimento do amor, pois agora haverá convivência, comunicação de vida, conhecimento honesto e verdadeiro do outro. Agora o coração não pulsará mais tão forte, nem se perderá o sono ou a fome.

O sentimento é de estabilidade emocional. O fogo da paixão encontrou-se com seu fim. Por conta disso, muitos acham que não amam mais. Mas, o que houve foi que a paixão começou a dar lugar ao amor. Ou pelo menos à possibilidade de o amor nascer de fato. O que ocorre de verdade é isso: “a paixão leva ao casamento, e o casamento leva ao amor”.

O fim da paixão não determina o fim do amor, mas a possibilidade do seu início.

Outro aspecto importante que devemos refletir é que, mesmo que o amor de alguém por seu cônjuge venha de fato morrer (e, creia, isso é possível!), ainda assim isso pode ser revertido, pois o amor tem poder de auto-regeneração. Mas para isso, é necessário vontade e trabalho.

Diferentemente da paixão, que nasce involuntariamente, o amor é voluntário. Ele exige o querer. Para que ele cresça é necessário a disposição da vontade. Enquanto a paixão só vê as virtudes, o amor considera os defeitos e decide, voluntariamente, “aceitar apesar de”. O amor não é ilusório, agindo como se não houvesse defeitos. Antes, é realista, pois vê claramente as falhas, mas consegue sobrepujá-las e aceitar o outro mesmo assim.

Alguns desistem de amar porque perceberam defeitos que antes lhes eram ocultos. Mas isso é lógico. A paixão oculta os defeitos. É agora que o amor terá condições de prevalecer, pois amar a perfeição não define mérito. Então, mesmo que o amor tenha se acabado, ele pode renascer, pois se houver vontade ele pode se regenerar. Ele tem poder para isso. Faz parte de sua essência, pois vem de Deus, e tudo o que é de Deus tem poder de renascer.

Já percebeu que mesmo nos desertos podem rebentar mananciais? Já percebeu que mesmo em meio a pedregais pode brotar uma flor? Já percebeu que a vida pode brotar forte e viçosa nos lugares mais impróprios? Pois é, o amor também é assim. Se você quiser ele pode renascer.

E, por fim, é importante dizer que Deus trabalha em favor daquele que o busca, mesmo quando a vontade se acaba. Isso porque, como acabei de falar, para que o amor renasça é necessário a vontade. Entretanto, devemos ser realistas ao entender que normalmente quando o amor se acaba, acaba-se também a vontade de que ele renasça.

Certa vez alguém me falou: “O amor se acabou. Agora, mesmo que eu possa voltar a amar não quero mais”. Quanto a isto, quero dizer algo. Tenho que admitir que há casos em que, de fato, se justifica o amor se acabar. Não podemos ser insensíveis ao ponto de não compreendermos determinadas circunstâncias e situações. Há casos em que infelizmente temos que compreender a decisão de não se amar mais.

Entretanto, também preciso dizer que em linhas gerais o propósito de Deus é a restauração do amor. E mesmo em situações graves o amor pode e deve prevalecer. Assim, a vida se enche de significado, pois se percebe vitoriosa e se restaurando em nome do amor.

Deus fez assim conosco. Devemos repartir isso com o outro, principalmente o cônjuge. O fato é que o compromisso de quem se propôs ma dividir a vida com alguém é com o casamento. Quem se casa tem um compromisso vital com o casamento. Portanto, deve lutar por ele, mesmo nos momentos em que ele estiver esmorecendo. E Deus quer ajudar-nos nisso.

Portanto, se seu amor se acabou e você não tem disposição nem mesmo de querer, peça a Deus e Ele vai trabalhar no seu querer. É desejo dEle a retauração do amor.

Dito isto, concluo que o fim do amor não precisa determinar o fim da vida conjugal. Se você quiser o amor poderá renascer ainda mais forte e vigoroso do que antes por mais áspero e ressequido que seja o terreno, pois o amor é de Deus, e o que é de Deus jamais se aniquila.

Se você quiser, isso poderá acontecer. Mas se você não quer mais, dobre os seus joelhos e peça a Deus e Ele vai restaurar o seu querer, e o amor vai prevalecer, e a vida vai se renovar, e no deserto do seu coração vai rebentar um manancial de vida.

Por: Pr. Jease Costa

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